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Bispo Adriel de Souza Maia
"Somente a missão justifica a presença da Igreja no mundo"
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 Caracteristicas do bispo
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 Igreja Metodista
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 O pai Adriel
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 Vida em família
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O bispo Adriel fez bacharelado em Teologia pela Faculdade de Teologia da Igreja Metodista, em Rudge Ramos, São Bernardo do Campo (SP), no ano de 1973. Sua turma foi a primeira após o fechamento da Faculdade de Teologia, em 1968. Também possui formação em Pedagogia com habilitação na área de Administração e Supervisão Escolar, além de Filosofia e Pós-Graduação em Administração.Foi eleito como o Bispo mais jovem da história do metodismo, com menos de 34 anos. Como Bispo, atuou na 4ª Região por 3 mandatos (de 1982 a 1997), Região Missionária do Nordeste (1998 a 2001) e, agora, na 3ª Região. Ultimamente, tem dedicado seus estudos à área pastoral.
Nesta entrevista ao jornal Conexão, o bispo Adriel traz uma palavra de motivação a todos os segmentos da Igreja, ressaltando a importância de se resgatar a dinâmica de uma Igreja de Dons e Ministérios, apta a assumir sua ação missionária em prol da comunidade. A seguir, a entrevista:
Conexão - Bispo, quais os seus sonhos para a Igreja Metodista?
Bispo Adriel - Na verdade, a gente vive integralmente o dia-a-dia da Igreja Metodista. Os sonhos são muitos, especialmente, que ela possa ocupar o seu espaço de testemunho e serviço da comunidade. Que ela faça jus ao tema: “Igreja – Comunidade Missionária a Serviço do Povo”, nessa perspectiva de assumir o seu papel missionário dentro da realidade do nosso país, da nossa cidade e da comunidade em que está inserida.
Ser uma comunidade missionária, na verdade, faz muita diferença, considerando-se que somente a missão justifica a presença da Igreja no mundo. Jesus foi extremamente ousado na oração denominada Sacerdotal: “Não peço que os tires do mundo; e, sim, que os guarde do mal (...) a fim de que todos sejam um e, como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste...” (Jo 17.15 e 21). Assim, precisamos sonhar, também, coletivamente.
Conexão – Qual seria seu destaque dentro do “Plano Nacional - ênfases e diretrizes” da Igreja Metodista?
Bispo Adriel - O “Plano Nacional – Objetivos e Metas”, aprovado pelo plenário do 17º Concílio Geral da Igreja Metodista, realizado em Maringá (PR), é uma peça de grande alcance para a vida e missão da Igreja Metodista. Ele pressupõe os referenciais já existentes, por exemplo: o Plano de Vida e Missão da Igreja, Documentos Pastorais da Igreja Metodista, a Herança Histórica do Metodista.
Nessa direção, fortalece as bases da ação missionária, ou seja, missão e evangelização, levando-se em conta os desafios da missão, da identidade e da confessionalidade. E, por fim, o documento sugere metas missionárias dentro da afirmação do fundador do Metodismo: “Não criar uma nova seita, mas reformar a nação, especialmente a Igreja, e espalhar a santidade bíblica por toda a terra”. Agora, precisamos operacionalizar esses desafios nas nossas comunidades de fé e serviço. Certamente, o Concílio Regional da 3ª Região Eclesiástica apontará pistas para a nossa caminhada à luz do Plano Nacional.
Conexão - Na sua opinião, o que distingue a Igreja Metodista das demais denominações protestantes?
Bispo Adriel - Há muitas marcas sinalizadoras do “povo chamado metodista”. Na verdade, recebemos uma belíssima herança do nosso fundador, rev. John Wesley: “Coração Aquecido”, “Experiência pessoal com Jesus”, “Equilíbrio Metodista”, “Piedade de Misericórdia”; “A Doutrina da Perfeição Cristã”; “Conexidade”; “Compromisso Social”; “Ardor Missionário”; “O Avivamento”, “Compromisso com a Unidade Cristã”, “Educação”, entre outras.
Para mim, uma marca sinalizadora do movimento metodista é a tolerância: respeitamos as idéias diferentes. A tolerância permite dialogar, respeitar e, especialmente, apontar caminhos para a inclusão - e não exclusão. Por isso, enfatizamos: “O Metodismo é parte da Igreja Universal de Jesus Cristo. Procura preservar o espírito de renovação da Igreja dentro da unidade, conforme a intenção da Reforma Protestante do Século XVI e do Movimento Wesleyano na Igreja Anglicana do Século XVIII que, por circunstâncias históricas, resultaram em divisões. Por isso dá sua mão a todos, cujo coração é como o seu, e busca no Espírito os caminhos para o estabelecimento da unidade visível da Igreja de Cristo.”
Conexão - Qual tem sido a principal marca da Igreja Metodista hoje? Evangelismo? Missão? Educação?
Bispo Adriel - O Metodismo histórico foi construído a partir dos seguintes enfoques: Evangelização, Educação e Ação Social. Creio que esse tripé é a marca da ação missionária da Igreja Metodista. Dentro de minha perspectiva, precisamos reforçar essas áreas dentro da prática do discipulado na Igreja Metodista. A missão da Igreja não aceita fragmentação. Ela é holística, ou seja, integral e integradora. No presente momento, há uma grande visibilidade na área de Educação chamada secular, levando-se em conta nossas instituições de ensino: colégios, centros universitários e universidades.
Conexão - Quais são os desafios e as expectativas na 3ª Região?
Bispo Adriel - A 3ª Região tem sua história e, especialmente, sua realidade. A partir disso, desejo somar com os segmentos, a fim de que possamos construir o projeto coletivo da Região dentro de seus desafios, oportunidades e possibilidades. A Região possui, sem sombra de dúvida, um grande potencial ministerial, o que conseqüentemente precisa ser canalizado para a razão de ser da Igreja: a missão e a evangelização.
Conexão - Gostaria de discorrer sobre santidade? missões? ecumenismo? família?
Bispo Adriel - Na plataforma pastoral todos estes temas têm um grande alcance na prioridade pastoral da Igreja. Merecerão, de minha parte, um cuidado especial. O Plano Nacional nos indica o seguinte desafio, objetivando uma ação missionária corajosa: “afirmar que há um grande vigor na consciência vocacional do movimento wesleyano". Entendia Wesley que havia uma razão de ser na sua existência do Movimento Metodista. Era como dar oportunidade à expressão de Lutero: "Igreja reformada, sempre reformando-se". O Movimento Metodista foi reformador e renovador. Wesley pôde concluir que a vocação que o Senhor lhe dera era a de "reformar a nação, particularmente a Igreja, e espalhar a santidade bíblica por toda a terra". Como seria diferente se nós encarnássemos a dimensão transformadora de uma santidade pessoal e comunitária. Certamente, teríamos uma melhor qualidade de vida missionária e, conseqüentemente, uma Igreja mais unida e coesa, testemunhando a unidade do Corpo de Cristo. Nossos lares seriam células vivas da graça e do amor redentor de Cristo Jesus.
Conexão - A sociedade está abalada pela superstição, misticismo... gostaria de comentar o tema?
Bispo Adriel - São reflexos da qualidade de vida do nosso povo. O ser humano está carente de reconhecimento. Vivemos uma sociedade competitiva, consumista, individualista, na verdade, fruto de uma realidade pós-moderna. Essa conjuntura é provocadora do vazio existencial. Assim, num ambiente de grande crise social e moral que vive o País, o povo empobrecido e desesperado encontra no misticismo a resposta para as suas angústias. Creio que esta realidade é um imenso desafio para nós, Igreja Metodista. Nós, enquanto comunidade de fé e serviço, precisamos ousar no nosso testemunho cristão em termos de uma vida cristã motivada pelos valores do Reino de Deus. Precisamos fortalecer a vivência comunitária, ou ainda, anunciar a graça amorosa de Deus em Jesus Cristo às pessoas, a fim de dar-lhes a bênção da alegria da salvação, bem como anunciar o “Ano Aceitável do Senhor”.
Conexão - Que palavras gostaria de dar às igrejas locais? Aos pastores e às pastoras? Aos líderes e às líderes?
Bispo Adriel - Uma palavra de motivação missionária a todos os segmentos da Igreja. Faz-se necessário resgatar a dinâmica de uma Igreja de Dons e Ministérios. Numa comunidade ministerial, todos e todas são importantes no movimento missionário de Jesus Cristo. Não há inválidos! Vamos, conjuntamente, unir, consolidar e avançar as nossas tendas missionárias. A 3ª Região está presente no principal centro urbano do País. Precisamos analisar e interpretar os sinais dos tempos na vida do nosso povo que, na verdade, vive “como ovelhas que não têm pastor”. Mãos à obra!